História

FENACAM-Desdobramento_03

A génese do Crédito Agrícola…

Portugal foi um dos primeiros países a organizar o associativismo agrícola e o cooperativismo de crédito.

A sua origem assenta nas Santas Casas de Misericórdia, fundadas em 1498 sob a égide da Rainha D. Leonor, mulher de D. João II, e de Fei Miguel Contreiras, bem como nos Celeiros Comuns, criados em 1576 por D. Sebastião, na cidade de Évora. Estes estabelecimentos de crédito eram destinados a auxiliar os agricultores em anos de escassez, adiantando-lhes as sementes por determinado juro que seria pago, tal como o empréstimo, em género. Note-se que somente 100 anos depois apareceram instituições semelhantes na Escócia (1649) e mais de 200 anos depois na Alemanha (1765).

Todavia, a importância dos celeiros comuns foi diminuindo à medida que as taxas de juro foram aumentando, tendo-se substituído por volta de 1862 os géneros pelo dinheiro, comparando-se a verdadeiras instituições de crédito.

A evolução que se processou no início do séc. XVIII, com o aparecimento de relações de tipo capitalista dentro destas instituições de crédito à produção, fez emergir uma nova organização do capital financeiro – a organização bancária.

Assim, em 1 de Março de 1911, foram criadas as Caixas de Crédito Agrícola Mútuo. Consecutivamente, até à década de 40, deu-se uma grande expansão destas instituições por todo o país que, por força da lei, teriam de estar ligadas aos sindicatos agrícolas. Pretendeu-se definir uma política de crédito para a agricultura portuguesa na qual as Caixas de Crédito Agrícola Mútuo eram instituições a privilegiar e pelas quais os incentivos financeiros seriam canalizados.

O nascimento da FENACAM…

No entanto, após este período de crescimento, as Caixas Agrícolas conheceram uma fase de estagnação e de crise, que as levaram a submeter-se à tutela do maior grupo financeiro do Estado Português – a Caixa Geral de Depósitos.

Após o estabelecimento da Democracia, com a Revolução de Abril de 1974, começou a surgir um movimento de Caixas Agrícolas para se autonomizarem e alargarem a sua actividade nos moldes em que o crédito cooperativo se desenvolvera em muitos países europeus. Foi desse movimento que resultou a criação da FENACAM – Federação Nacional das Caixas de Crédito Agrícola Mútuo, com a função de apoiar e representar, nacional e internacionalmente, as suas associadas. A Federação vai então ter um papel fundamental na reconquista da autonomia das Caixas de Crédito Agrícola Mútuo.

Fundada em 29 de Novembro de 1978, por um grupo de 26 Caixas Agrícolas, a FENACAM foi a primeira estrutura de âmbito nacional do Crédito Agrícola a ser criada com o objectivo de defender os interesses das Caixas Agrícolas e de as representar nos mais diversos níveis, introduzindo-lhes uma nova dinâmica de funcionamento, ajustada aos objectivos de desenvolvimento e às necessidades impostas por um crescimento acelerado.

Mandatada pelas Caixas Agrícolas, empreendeu um vasto plano de reformas, sendo actualmente a instituição de representação politica e institucional do Crédito Agrícola, quer a nível nacional, quer internacional.

Paralelamente tem criado, desenvolvido e dinamizado vários serviços de apoio à actividade das Caixas Agrícolas, alguns de natureza estruturante e com grande impacto na actividade do Grupo CA.